quarta-feira, 6 de junho de 2012

RICKSON: JIU-JITSU PURO NÃO VENCE MMA

Por Guilherme Cruz
Foto Erik Engelhart

O que seria do MMA se Royce Gracie tivesse perdido para um dos “gigantes” na primeira edição do UFC, em 1993? Lenda do Vale Tudo, Rickson Gracie ajudou a responder esta pergunta na edição deste mês da Revista TATAME, à venda nas bancas de todo o país.

Mas não foi apenas este tema que abordamos com o mestre.

Responsável por alavancar o Vale Tudo no Japão, um ano após Royce dar o pontapé inicial no UFC, o Gracie avaliou a evolução do esporte e revelou que, na sua opinião, o Jiu-Jitsu puro não tem mais espaço.

“Não, a coisa mudou um pouco. Atualmente, a regra institui um ritmo de combate, uma preparação física e uma estratégia de luta que pede que o Jiu-Jitsu entre de uma forma”, disse, explicando como as regras exigiram a mudança na postura dos lutadores.

“Se você tirar o tempo, tirar o (limite de) peso, você começa adicionar a técnica, a estratégia, manutenção do seu gás, começa a pensar diferente. A partir do momento em que são três rounds de cinco minutos, as pessoas botam uma energia, perdem oito, dez quilos para lutar, já estão totalmente no topo da tecnologia de treinamento”.

Para Rickson, grande parte dos ensinamentos da arte suave, aplicados em academias ou grandes torneios, não tem utilidade em lutas de MMA.

“Você pode talvez aplicar 30% de Jiu-Jitsu”, opina. “Você não pode botar um Royce ou mesmo eu, ou qualquer cara... A tecnologia do esporte aumentou muito em termos de o quanto você treina, capacidade de perda de peso para competir... É uma total diferença. Você pode usar muita coisa do Jiu-Jitsu, mas o indivíduo é o elemento básico”.

A mudança no panorama do esporte é tanta que a TATAME pediu a Rickson para que apontasse os atletas que mais lhe impressionam atualmente, e os nomes escolhidos não são do Jiu-Jitsu.

“Jon Jones e Anderson Silva”, elege o Gracie. “São os caras que estão realmente controlando o cenário. Não pode falar nada dos caras. Eles têm uma boa visão, uma capacidade física, uma destreza, alto nível”.

Para o veterano, no entanto, o número de atletas de alto nível poderia ser ainda maior, caso o esporte tivesse espaço para que todos os lutadores aparecessem.

“Está sempre aparecendo um talento novo, a coisa está muito dinâmica. A construção dos atletas está sendo muito espontânea”, explica. “O funil é tão pequeno em termos de quantidade de pessoas que gostariam de estar presentes lutando e a quantidade que aparece nos eventos. Existe uma demanda muito maior do que se vê. Se fosse um campeonato aberto, como no Jiu-Jitsu, iam aparecer muitos talentos”.

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