domingo, 3 de junho de 2012

MUSA DO JIU-JITSU É A PRIMEIRA MULHER A ARBITRAR NAS LUTAS


Reportagem Samira Bomfim, direto da Califórnia
Foto Monte Massey

Uma das musas do Jiu-Jitsu trocou o quimono pelos ternos de árbitro, no Mundial realizado na Califórnia. A faixa-preta Hillary Williams foi convidada para ser a primeira mulher a arbitrar nas lutas.

“Realmente foi inesperado. Estava aqui para trabalhar nos três primeiros dias. O Álvaro e o André falaram comigo e eles queriam que uma mulher fosse (árbitra) aqui pela primeira vez. É uma honra, então estou aqui”, disse, em entrevista à TATAME.

Após o convite, Hillary, mesmo afirmando estar preparada para o desafio, admitiu sentir um nervosismo diferente, já que agora atuou em uma área que não estava acostumada.

“Estou muito nervosa (risos). Mas eu também sei que os meus colegas de trabalho me ajudam demais, me dão muita força e me treinaram bem. Sei que eu estudei, então vamos nessa (risos)”.

A faixa-preta trabalhou nos três dias de evento e fez um saldo positivo do torneio e da sua atuação. “Realmente, o Mundial é complicado. Muita pressão por eu ser a única mulher. Não é do tipo “ah, alguém me roubou” ou “aquele menino fez alguma coisa comigo”, é sempre a mulher. Mas foi tranquilo. O primeiro dia foi pra pegar o ritmo de novo. Ontem, na faixa preta, eu me senti muito bem, então estou me sentindo bem hoje também”.

Antes do Mundial, Hillary havia afirmado que não ia disputar o campeonato. Isso porque a lutadora agora começou a estudar medicina.

“Eu comecei a prática da medicina ano passado, então as aulas estão muito puxadas. Estudo entre oito e 12 horas por dias. Eu achei que era melhor deixar de lado esse ano, deixar as meninas que realmente levam o esporte como profissão. Estou gostando de fazer a minha parte. É um jeito de estar envolvida e espero fazer decisões justas para as atletas para além de filiações e de onde eles vêm”.

Vendo de fora as competições, Hillary destacou algumas lutadores, inclusive revelando torcer para uma delas.

“Várias me impressionaram. Eu sou muito fã da Luiza Monteiro. Ela tirou onda ontem. Gosto muito da Bia também. Obviamente, eu estou sempre torcendo para a Letícia Ribeiro porque ela é uma lenda no esporte feminino. Vamos ver como elas vão hoje”.

Quebrando tabus após ser a primeira mulher a arbitrar lutas, a musa do Jiu-Jitsu espera ver mais meninas na carreira.

“Chame as meninas (risos)! Quero mais meninas aqui. Acredito muito que mulheres conseguem focar em várias coisas ao mesmo tempo. Nós somos boas árbitras, só que é a pressão. O esporte é machista, então você precisa ser uma mulher que aguenta. Tenho certeza de que há mulheres fortes aí”.

Sobre quais lutas gostaria de arbitrar e as que não iria querer, Hillary foi direta.

“Poxa, quero assistir todas as lutas. Vamos ver. A luta acontece diferente cada vez, então com certeza vai ter alguma muito legal”, afirmou.

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