quinta-feira, 14 de junho de 2012

ENTREVISTA COM ANA MARIA "ÍNDIA".

Ana Maria Índia é uma das mais respeitadas lutadoras do nosso país. Além de colecionar diversos títulos de Jiu-Jitsu, a atleta do Team Nogueira também luta MMA, porém, ficou um tempo afastada devido a cirurgias no joelho. Agora recuperada, a casca-grossa já traçou as metas para um futuro bem próximo, e um deles é conseguir lutar em eventos internacionais.

Em entrevista ao PVT, a única mulher faixa preta de Jiu-Jitsu do Team Nogueira comentou a evolução em seus treinos, as cirurgias que dificultaram sua caminhada no MMA, o amadurecimento nos treinos e ainda analisou o possível combate entre sua amiga Cris Cyborg e a atual campeão do Strikeforce Ronda Rousey.

"Sou amiga da Cyborg, já treinei com ela. A Ronda nunca lutou com uma menina boa de Jiu-Jitsu. O arm-lock dela é perfeito. Vejo muito faixa preta de Jiu-Jitsu não fazer o que ela faz", disse Índia.

Sem lutar desde 2010, quando foi superada pela agora companheira de treinos Aline Nery, a faixa preta se mostra bastante confiante.

"Nunca me senti tão rápida e tão forte. Agora estou treinando de tudo, tudo bem cadenciado, preparação física. Decidi que esse ano vou lutar só MMA, para correr atrás do tempo perdido. Já ganhei campeonatos de Jiu-Jitsu, de pano e sem pano, me senti mais seguro e agora quero 'partir para porrada'".

Confira abaixo a entrevista completa:

PVT: Como estão os treinos das mulheres no Team Nogueira?

Ana Maria Índia: Estou com um reforço bom, porque a Duda (Yankovich) também está treinando MMA aqui no Team Nogueira, a Aline Nery também, que é faixa preta de Kickboxing. Nunca tive um reforço tão bom para o MMA feminino. Antes eu tinha que fazer sparring com os meninos, e com elas é diferente, ainda mais com a Duda, que é do meu peso. Elas me ajudam em pé e eu as ajudo no chão.

O Minotauro está investindo muito na parte de Muay Thai. Quando um vai para Tailândia, outro chega para treinar com a gente. Ele está investindo muito na parte de Wrestling também. O Eric Albarracin ficou aqui uns 4 ou 5 meses.

PVT: Quais as mudanças que você vê hoje em relação às últimas lutas?

Ana Maria índia:  Eu nunca treinei tanto na minha vida. Antes eu era focada no Jiu-Jitsu. O Dórea falava assim para mim: 'Campeã, você só luta. Você não tempo para treinar, e não é assim'. Quando terminava a minha luta eu focava no Jiu-Jitsu. Eu sempre dividi o ano em três partes: Até o meio do ano participava de campeonatos de Jiu-Jitsu; no meio participava brasileiro de Boxe; depois ia para o MMA.

PVT: Você passou por cirurgias nos joelhos. Em que isso implicou nos maus resultados?

Ana Maria Índia: Operei os dois joelhos. No direito tive que fazer duas cirurgias, depois machuquei o esquerdo e tive que fazer outra cirurgia. MMA tem dois anos e meio que eu não luto devido a isso. Mas eu fiquei 6 meses nos Estados Unidos depois da cirurgia no ano passado. Eu lutava com diferença de 4 ou 5 cm de diferença de uma perna para outra e me prejudicava. Eu pensava que treinar bem era treinar muito, mesmo machucada. Eu não era muito profissional.

PVT: E agora, como está se sentindo?

Ana Maria Índia: Nunca me senti tão rápida e tão forte. Agora estou treinando de tudo, tudo bem cadenciado, preparação física. Decidi que esse ano vou lutar só MMA, para correr atrás do tempo perdido. Já ganhei campeonatos de Jiu-Jitsu, de pano e sem pano, me senti mais seguro e agora quero "partir para porrada".

Eu treino bastante. Moro na Academia, dou aula. Às vezes estou cansada e penso em não treinar, mas imagino que no dia da luta eu posso estar cansada também, mas terei que me virar. Eu não me sinto no direito de faltar treinos.

PVT: Está com alguma luta marcada?

Ana Maria Índia: Este ano marcaram dois eventos para mim, mas os dois caíram. Mas acredito em Deus e acho que ele está me preparando para o melhor, pois vou lutar mais forte e preparada ainda. Às vezes eu até choro por não estar lutando. Estou atrás de luta, quem estiver interessado em me contratar, estou à disposição.

PVT: No início do ano você disse que queria fazer três lutas em 2012 para conseguir ir para o Strikeforce. O planejamento continua?

Ana Maria Índia: É o que eu quero. Nunca fiz uma luta de MMA internacional. Acho que eu mereço. A Cris Cyborg conversou comigo e disse para botar para frente. Ela tem uns contatos e está me ajudando. Eles pedem uma sequência de três vitórias. Infelizmente as contusões me prejudicaram, perdi lutas que poderia ter ganhado, pois mesmo lesionada eu fiz lutas duras.

PVT: Atualmente a luta mais aguardada do MMA feminino é entre a Cyborg e a Ronda Rousey. O que pode nos dizer deste combate?

Ana Maria Índia: Sou amiga da Cyborg, já treinei com ela. A Ronda nunca lutou com uma menina boa de Jiu-Jitsu. O arm-lock dela é perfeito. Vejo muito faixa preta de Jiu-Jitsu não fazer o que ela faz. Ela pega o braço na altura do punho e cola no tórax dela. Então quando ela estica o corpo, o braço da pessoa faz parte do tronco dela. Ela não coloca o cotovelo dela colado no da outra pessoa e não coloca o quadril no chão antes de levar. Ela projeta o corpo dela para frente e quando ela desce, ela desce com o braço no tronco, e não dá tempo para sair. A técnica é muito perfeita, mas ela só tem isso. Ela não está acostumada a tomar soco. A Cris é muito versátil. Ela fala para mim: 'Guria, não tenho técnica, mas eu vou na tosqueira mesmo'. Ela é muito forte e muito explosiva.

Você fazer Jiu-Jitsu normal é uma coisa, você fazer tomando soco na cara é outra. As meninas que lutaram com a Ronda não foram inteligentes. Para ela pegar o braço ela tem que encurtar a distância, e a Cris é inteligente.

PVT: Você evoluiu muito em pé. Fica aquele desejo de nocaute?

Ana Maria Índia: Troquei totalmente o meu jogo. Eu quero lutar muito em pé. Se me levar para o chão vão estar me fazendo um favor. Treino Wrestling, claro. Mas não ligo se me derrubarem. O cara do Muay Thai vai querer nocautear, o do Wrestling vai querer derrubar e eu, que sou do Jiu-Jitsu, vou ter medo de cair? As pessoas estão muito preocupadas em se levantar. Tem que trabalhar o chão. Eu falei da Ronda mas sou igual a ela: Meu negócio é arm-lock, triângulo e omoplata.

PVT: Algum agradecimento?

Ana Maria Índia: Gostaria de agradecer ao Rodrigo Minotauro, Rogério Minotouro; Meus professores de Boxe, Erivan Conceição e Edelson Silva; Meu professor de Jiu-Jitsu Everaldo Penco, Meu professor de Muay Thai Alex Gaxé; E meu preparador físico Fábio Gilho.

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