terça-feira, 16 de agosto de 2011

VITOR BELFORT 150 FLEXÕES DE BRAÇO 10 LITROS DE ÁGUA 1h DE ORAÇÃO.


Vitor Belfort desembarcou há cerca de uma semana no Rio de Janeiro após um ano sem visitar sua cidade natal. O lutador de MMA, que mora em Las Vegas com a mulher, Joana Prado, e os três filhos, veio à cidade por conta do campeonato UFC que acontecerá no próximo dia 27. Desta vez, porém, ele não estará no ringue. Vitor veio como uma espécie de porta-voz do esporte. “Não lamento [não competir no Rio]. Meu futuro não é só como lutador. O UFC me vê como um braço do esporte. E temos tudo para competir com o futebol no Brasil”, diz.

Vitor tem 34 anos e lutou pela primeira vez profissionalmente aos 18. Desde então, foi campeão duas vezes, a primeira quando tinha apenas 19 anos, o que lhe rendeu o título de Fenômeno, como é chamado pelos americanos. A única vez que perdeu por nocaute foi na luta contra o brasileiro Anderson Silva, em fevereiro deste ano. “Às vezes a gente é surpreendido. Mas a derrota tem que trazer um aprendizado, e eu não me acomodo”, disse na ocasião. 

a/EGO/Marcos Serra Lima

O lutador com os filhos e a mulher, Joana Prado

Por conta do esporte, Vitor se mudou há um ano com a família para os Estados Unidos, onde segue uma rotina pesada, com treinos de oito horas por dia, de segunda a sábado, e uma dieta controlada por um nutricionista. Bebe 10 litros de água por dia, come de três em três horas e pesa 100 quilos, mas quando vai competir chega a perder 16 quilos em uma semana para participar da prova. Os treinos incluem luta, musculação, fisioterapia e até massagens. Vitor chega a fazer 100 repetições na barra e 150 flexões. Para aguentar o tranco, dorme no mínimo oito horas por noite e também reserva duas horas durante as tardes para descansar.

Por causa da luta, vive cheio de machucados e lesões. Uma das piores, conta ele, foi quando teve uma fratura exposta na mão esquerda. “Lutei com o osso para fora”, lembra. “Ainda sinto dor, principalmente quando faz frio. Mas já estou calejado. A grande sacada é conhecer o seu corpo e entender seus limites”, diz. “Na selva, há dois animais que simbolizam bem o que eu sou : o cordeiro, que é doce e incapaz de fazer o mal, e o leão, um predador com tenacidade, explosivo. Sou um leão nos ringues e nos negócios, e um cordeiro para amar e servir minha família. Aprendi isso na Bíblia”, conta ele, que todos os dias faz pelo menos uma hora de oração com a família e aos domingos vai ao culto numa igreja protestante. 

Vaidoso e romântico Na intimidade, Vitor nem de longe lembra o estereótipo de brutamonte. Apesar das cicatrizes e hematomas, é vaidoso. “Passo protetor solar todos os dias e gosto de estar cheiroso”, conta ele, que usa o perfume Bvlgari, de Issay Miake. Adora ir ao cinema e diz que chora com filmes de drama – um de seus preferidos é “Poder além da vida”, com Nick Nolte. Também vai a shows de artistas como Celine Dion e costuma assistir ao DVD de Justin Bieber com os filhos, Davi, 6, Kyara, 2, e Vitória, 4.
   
a/EGO/Marcos Serra Lima

Vitor e a mulher, Joana Prado, com quem está casado há oito anos

“Vitor é mais emoção que razão. É supercarinhoso e romântico, o oposto do personagem estereotipado que fizeram dele”, garante Joana, que ainda acha difícil assistir às lutas do marido. “Estou aprendendo a lidar com a adrenalina. Mas cinco minutos de luta para mim parecem que são cinco horas”, conta. Desde que se casou com Vitor, há oito anos, ela o acompanha mundo afora. “Não tive escolha, já o conheci lutador. Mas adoro a vida em Las Vegas”. 

Nos EUA, a família mora em uma casa própria com quatro quartos e piscina. Joana abriu mão de empregadas e babás e cuida de tudo sozinha. “Só tenho ajuda do Espírito Santo”, brinca ela. “Me permito o conforto, mas vivemos de maneira simples. Não tenho que ostentar nada porque não vivo para os outros, mas para mim”, conta Vitor. “Ganho mais do que eu preciso e menos do que eu mereço”, afirma ele, que investe em fundos e imóveis – tem apartamentos e salas comerciais em São Paulo e um apartamento no Rio, onde fica quando vem ao Brasil e onde fez as fotos para o EGO.

O lutador recusou vários convites para ganhar até US$ 50 mil para ficar 15 minutos em festas em boates. “As pessoas em Las Vegas não têm limites. Vão para as boates se embebedar e se prostituir. Não vou associar minha imagem a isso”, justifica. Também não topou fazer propaganda de uma marca de camisinha. “Não sou a favor do sexo antes do casamento”, afirma ele, que se espelha em Zico e Ayrton Senna. “No Brasil sou uma celebridade, e quero usar isso de forma responsável. Quero levar algo de positivo para a vida das pessoas”.
Globo
 

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