sexta-feira, 23 de julho de 2010

NOCAUTE NAS DROGAS

Experimentou álcool ainda menino. Aos 12 anos, conheceu o coma alcoólico com um garrafão de vinho. Dois anos depois, o primeiro baseado. Vieram a cocaína, a merla e o crack. Os excessos levaram-no quatro vezes ao hospital, mas Alexandre da Silva Oliveira seguiu bebendo e se drogando. Vendeu as roupas para bancar o hábito, descuidou da alimentação e da higiene. Nem uma hemorragia no nariz o fez deixar o pó. Até que teve um primo assassinado por uma gangue de Taguatinga, em dezembro. Algo despertou em Alexandre. Decidiu ser um exemplo para o filho de 4 anos. Parou de se entorpecer e foi à luta. Com luvas de boxe. Há mais de seis meses, as únicas doses que ele experimenta são de adrenalina.
Aos 25 anos, Alexandre é um dos 40 alunos da Escola de Base de Boxe do Guará, criada no ano passado por uma parceria entre a ONG Cidadania para Todos, a Administração Regional do Guará e a Federação de Boxe do DF e Entorno. É no ringue da instituição que o rapaz dedica-se a uma atividade esportiva que lhe traz saúde, satisfação, autoestima e, principalmente, determinação para não recair no vício, como já ocorreu no passado. "Agora nada vai me fazer desistir", diz, determinado.
Para iniciar essa luta saudável, Alexandre recebeu apoio do professor Hebert Luiz Carvalho Matos. "Comecei a conversar com o Alexandre, incentivando-o a deixar as drogas e vir para o boxe", conta o instrutor, confiante em seu pupilo. "Alexandre tem potencial para deslanchar", elogia.

Doações
A escola atende gratuitamente a 40 praticantes do boxe, com idade entre 8 e 51 anos. São pessoas de diferentes classes sociais, beneficiadas por uma estrutura simples, que depende de doações e do trabalho de voluntários como Hebert. "Muitas vezes tiro meu tênis e os empresto para meus alunos treinarem", comenta ele. Credenciado pela Federação de Boxe do DF e Entorno, Hebert gosta do que faz e confia estar ajudando jovens a se manterem distantes dos tóxicos. "Quando eles estão aqui, estão longe das drogas e das coisas erradas. É gratificante ver os meninos evoluírem."
Evolução é o que Alexandre espera ter. Seu sonho hoje é tornar-se profissional do boxe. Antes mesmo que a meta seja atingida, ele comemora o fato de ter substituído as drogas pelo esporte. "Aqui no projeto, sirvo de exemplo para os mais novos de que usar drogas não leva a lugar nenhum", afirma, enquanto recupera o fôlego, ainda prejudicado por anos de consumo de entorpecentes.
Mas a luta não acabou. Recomeça diariamente. É o esforço contra recaídas, como as que ocorreram nas tentativas anteriores de ficar sem drogas. Nessa batalha, deixa para trás algo além dos hábitos antigos. "Cortei as amizades ruins e, quando dá vontade de voltar a usar (drogas), eu tomo água, corro, nado, treino boxe. Comecei a ir à igreja e peço a Deus sabedoria e saúde para conseguir não voltar (ao vício). Vi que o esporte é o melhor para ocupar a mente", conta o jovem boxeador.

Perfil
Nome: Alexandre da Silva de Oliveira
Nascimento: 7/12/1984, em Brasília (DF)
Altura: 1,70m
Peso: 70kg
Começo na escola: há seis meses.
Meta: tornar-se boxeador profissional

Pó, sangue e reabilitação
Alexandre Oliveira já havia tentado ingressar no mundo dos ringues antes de frequentar a Escola de Base de Boxe do Guará. O rapaz conta que, há dois anos, ele e um amigo costumavam ir de bicicleta do Guará ao complexo esportivo do Mané Garrincha, onde treinavam boxe. A prática durou uns seis meses, diz Alexandre. Quando deixou as luvas de lado, o estímulo para a prática de esportes sucumbiu ao vício. "Depois que o treino lá acabou, eu me afundei de vez", lamenta o jovem.
No fim do ano passado, encarou o pavor. "Vi que precisava parar", relata. "Eu estava em casa cheirando cocaína quando meu nariz começou a sangrar bastante. Mesmo assim não parei. Até que meu coração disparou como nunca tinha acontecido antes, e eu não conseguia mais respirar. Fui tomado pelo desespero. Pedi socorro ao meu pai, que não sabia que eu usava (cocaína), mas sempre desconfiou por causa das minhas amizades." O princípio de overdose levou Alexandre ao hospital e à reflexão sobre o que fazia com a própria vida e o exemplo que deixaria para o filho, de 4 anos.
Outro golpe o atingiu em dezembro de 2009. Wesley Oliveira Camêlo, seu primo de 24 anos, foi morto por integrantes de uma gangue de Taguatinga. Alexandre decidiu mudar de vida. "Wesley me disse, no dia do meu aniversário, que ia parar de beber. Seis dias depois, recebi a notícia de que ele tinha morrido. Ele sempre falava que eu levava jeito para ser lutador", conta o boxeador. "Outra razão para me fazer parar é meu filho. Ele fica louco quando me vê com luvas e capacete de boxe. Antes o exemplo que ele tinha era de mesa de bar e hoje é de um atleta", orgulha-se.
A decisão forja um atleta determinado. O jovem de 25 anos revela que antes desistia das lutas, vencido pelo cansaço, e hoje encara todos os rounds mesmo com dores, sem se deixar abater. Alexandre pode até apanhar, mas está de pé.

Escola de Base de Boxe do Guará
As aulas são ministradas por professores voluntários gratuitamente, de segunda a sexta-feira, na sede da Gerência de Desenvolvimento Social da Administração Regional, localizada na Colônia Agrícola Águas Claras, chácara 20 (abaixo da QE 24 do Guará II). Maiores informações pelo telefone (61) 8481-8559.
Supersportes

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