terça-feira, 16 de março de 2010

O peso é que impede


Ano após ano surgem os rumores: Evander Holyfield enfrentará mais uma vez Tyson para vingar o pedaço da orelha que teve arrancado por mordidas do rival. 2010 não foi diferente e logo em março surgiram as notícias de que os norte-americanos farão o terceiro encontro nos ringues. E, por Holyfield, desta vez o combate pode até acontecer.
Em entrevista ao UOL Esporte, o pugilista de 47 anos afirmou que não teria problemas em subir ao ringue diante de seu maior rival. Em forma, já que segue atrás de um cinturão do mundo antes de encerrar a carreira, ele tem na aposentadoria de Tyson o problema, já que o compatriota está longe do peso que apresentava quando lutava.
“Se Tyson estivesse com um bom peso, eu o enfrentaria”, afirmou, por telefone, o único lutador dos pesados a chegar a quatro títulos mundiais. Holyfield, no entanto, está calejado com os excessivos rumores envolvendo seus nomes, que surgem ano após ano.
Desta vez o site Ringside Report foi quem noticiou o assunto, falando que Tyson se reaproximou de seu antigo empresário, Don King, para um retorno após cinco anos parado. O problema é que nos últimos tempos o ex-lutador tem aparecido visivelmente fora de forma, muito acima do peso em que se acostumou a entrar nos quadriláteros. Tanto Holyfield quanto Tyson costumavam subir ao ringue com cerca de 100 kg, sendo que o segundo fez sua última com 105 kg.
“Não estava sabendo disso, mas sempre há muita falação. Não tenho ideia sobre uma luta com ele. Não há nada certo, a não ser que ele perca seu excesso de peso”, explicou Holyfield, hoje com um cartel de 42 vitórias (27 nocautes), dez derrotas e dois empates. “Meu objetivo é ser campeão novamente. Mas uma luta dessas sempre atrai mais atenção ao boxe.”
Sobre o encontro com Tyson após 13 anos, acontecido em 2009 no programa da apresentadora Oprah Winfrey, ele se disse satisfeito em passar a história da mordida a limpo. À época da luta, Tyson disse que perdeu a cabeça após levar cabeçadas intencionais do rival. “Foi bom para ele ir à Oprah. Espero que agora tome as decisões certas para ele e encontre seu caminho”.
O certo até o momento para Holyfield é que conseguiu uma licença para voltar aos ringues - apesar da idade avançada e das últimas derrotas - e calçará as luvas para enfrentar Francois Botha no dia 10 de abril, em Las Vegas. O combate aconteceria em Uganda no início do ano, mas foi adiado e relocado por problemas com a organização local.
APÓS POLÊMICA

Será a primeira luta de Evander Holyfield desde dezembro de 2008, quando perdeu para Nikolay Valuev, em disputa pelo título da Associação Mundial de Boxe (AMB), à época em poder do “Gigante Russo”. A decisão por pontos, no entanto, foi feita de forma polêmica em favor de Valuev, que saiu vaiado do ringue.
“Eu ainda penso bastante nesta luta. Eu bati, mas não ganhei, então foi uma situação difícil”, comentou o pugilista, que tentou recorrer da decisão à época, mas sem sucesso.
Em caso de vitória, Holyfield teria concretizado o sonho de bater um recorde histórico, do lendário George Foreman. O norte-americano foi o mais velho campeão dos pesados em 1994, quando bateu Michael Moorer e faturou o cinturão mais uma vez, aos 45 anos.
Agora, o peso pesado tem de bater Botha para tentar se recuperar de uma série de nove lutas em que teve o braço erguido pelo árbitro apenas quatro vezes, sendo a última em 2007, contra Lou Savarese. Se vencer o sul-africano, não pretende escolher rivais.
“Ainda não conversei com nenhum dos detentores de cinturão, mas não recusaria enfrentar qualquer um deles. Com certeza vencendo Botha terei uma chance ainda em 2010 de ser campeão do mundo”, estimou ele. Atualmente, os campeões do mundo são os irmãos Vitali (CMB) e Wladimir Klitschko (OMB e FIB), além do britânico David Haye (AMB), que tirou o título justamente de Valuev.
COMO UM GAROTO
Apesar da idade, Evander Holyfield não deve em disposição no ringue. Prova disso foi seu combate contra Valuev, em que o russo ficou praticamente estático no centro do ringue, enquanto foi o norte-americano quem se movimentou e atacou, chegando a fazer o gigante de 2,13 m balançar.
“Eu me sinto ótimo. Parece que ainda tenho 21 anos, mas com muito mais inteligência”, disse ele. Ao contrário de lutadores como o próprio Tyson, que disse em seu documentário recém-lançado no Brasil que perdeu o gosto por lutar, o boxe ainda corre no sangue de Holyfield.
“O recorde de Foreman ainda é uma motivação. Você tem de se manter em ação, estar focado e tomar muitas vitaminas. Se não se cuidar, não há o que fazer”, contou, entregando sua receita. “Eu com certeza ainda tenho prazer em lutar. Na verdade, não mudei em relação ao que sempre fui e acho que hoje gosto ainda mais do boxe.”

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