terça-feira, 31 de dezembro de 2013

O MMA É VIOLENTO ?



Por André Maraschin

Sempre houve críticas a respeito das lutas de MMA, mas parece que a lesão do lutador Anderson Silva no UFC 168 catalisou uma série de opiniões contrárias e esse tipo de esporte. Claro que cada pessoa tem o direito de expressar as suas opiniões e ser contra ou favorável a qualquer causa, mas gostaria apenas de esclarecer alguns pontos a respeito das lutas e esportes em geral para que sirvam de reflexão.

Em primeiro lugar, temos que compreender o ser humano como um eterno caçador de aventuras. Não existe razão ou lógica para explicar porque as pessoas fazem as coisas que fazem, mas é certo que morre lentamente quem não se exercita, quem não viaja ou quem não tem sonhos. Nesse caso, lutar é apenas mais uma das diversas formas possíveis que uma pessoa pode ter como hobby ou profissão e dar sentido à sua vida através da adrenalina e sentimento de superação pessoal!

O MMA é contundente? Sim, claro, pois trata-se de um esporte de contato. Mas precisamos compreender que é um tipo de risco controlado, que existem regras e que os atletas são extremamente preparados para suportar os golpes. Dessa forma, a contundência não é o objetivo final nas Artes Marciais, mas sim um meio de se atingir outros objetivos que vão desde o crescimento profissional, o sustento da família, a motivação para treinar, praticar atividades físicas e ter uma filosofia de vida que na maioria dos casos transforma os praticantes em pessoas melhores!

Por outro lado, há indivíduos que fumam, bebem, usam drogas e dirigem com imprudência. Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal, são 43 mil mortos por ano em acidentes de trânsito no Brasil. O trânsito que é violento ou o comportamento das pessoas ao dirigir? E o futebol, é violento? Quantos jogadores se lesionam desde o profissional até as peladas de final de semana?

Mas vamos falar de esportes de risco, do alto índice de acidentes na Fórmula 1 e nas corridas de velocidade em geral. Ou então podemos analisar o alpinismo, parece que há cerca de 300 corpos de alpinistas mortos no Monte Everest em uma altitude onde não se pode sequer fazer o resgate dos cadáveres. Mas mesmo assim, alguém sabe explicar porque todo ano milhares de “malucos” se arriscam a escalar nas alturas?

Poderíamos citar mais esportes radicais como Surf, Parkour, Vôo livre, Esqui, Paraquedismo, Rugby, etc, a lista de acidentes graves e mortes é enorme. Imaginem que já morreram maratonistas, mas sem terem sido atingidos por um golpe sequer! Assim, se optarmos sempre pela lógica e a razão, nada faremos! Mas o que têm todas essas modalidades em comum é o fato de que elas podem te proporcionar algo que jamais alguém poderia obter de outra maneira: Satisfação!

Outro dia, um amigo comparou os esportes de luta com briga de animais. Mas tem uma crucial diferença, eu disse a ele: Os galos ou cães não escolhem lutar e não recebem pagamentos tal qual os homens que estão no UFC. Um lutador entra no octagon por livre arbítrio, da mesma forma que cada um escolhe o seu destino na vida.

Então, por livre arbítrio, talvez alguns acreditem que seja mais seguro apenas postar na internet e criticar, sem nunca ter experimentado o sabor de uma grande aventura em sua vida. Ou talvez seja melhor continuar a comer fast-food, tomar refrigerante e quem sabe morrer de parada cardíaca aos 45 anos porque havia o estresse das metas na empresa, as prestações a vencer, os telefonemas dos clientes, o smartphone, o status no Instagram, no Facebook e o sono atrasado… Mas viver é correr riscos! Ou como diz a máxima: “o pior é morrer sem ter vivido!”.

André S. Maraschin – Profissional em Educação Física, Faixa Preta 3º Dan em Karate, professor e atleta

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